terça-feira, 26 de maio de 2026

PUFFY 30

Alguns projetos guardamos apenas no coração. Em 2021, iniciei um projeto de fanzine e sabia que levaria muito tempo para elaborar.

Aqueles que me conhecem há bastante tempo sabem o quanto sou fã do duo de rock japonês PUFFY. Há pelo menos 25 anos (mais da metade da idade que tenho agora) tenho acompanhado o trabalho da dupla e visto mudanças musicais e estéticas em sua carreira, que muito me ensinaram sobre experimentar coisas novas (técnicas, estéticas, influências). Sim, penso que quando gostamos muito de algo essa coisa nos fornece não apenas prazer mas algum aprendizado. Cresci junto com PUFFY, mesmo tendo conhecido a sua música quando já era adolescente. Talvez por isso mesmo minha admiração tenha sido tão formadora, já que nasceu num momento de amadurecimento.

Com PUFFY eu conheci diferentes ritmos e descobri que o rock não precisa ser um gênero musical fechado. A banda me mostrou que é possível misturar ritmos, instrumentos, brincar com a música e se divertir com isso. Foi com PUFFY que conheci muitos outros artistas talentosos como Electric Light Orchestra, The Cardigans, Eels, The Monkees, Jellyfish... Também àquela época foi quando comecei a realmente estudar a língua japonesa, buscando na música um jeito de aprender a pronúncia.

Há cinco anos, comecei a criar um fanzine ilustrado como uma espécie de Guia para apresentar a banda aos brasileiros. Nele, eu conto um pouco da história da dupla, suas influências musicais, curiosidades sobre Ami e Yumi, além de fazer pequenas resenhas para todos os singles e álbuns lançados. Não preciso nem dizer que esse trabalho de redator da Wikipedia precisou ser engavetado por mil e um fatores.

No último dia 13, a banda completou 30 anos de carreira e está nos preparativos para um grande evento comemorativo em junho. Depois de muito tempo, finalmente, outro fã que sempre acompanho (https://amiyumidas.blogspot.com/2026/05/pfes-final-line-up.html) postou uma resenha sobre o lançamento da última coletânea lançada. Isso me motivou a escrever sobre. O fanzine está guardado, mas quis trazer algumas das ilustrações que fiz para as resenhas dos álbuns.

Vou deixar aqui uma rara entrevista em inglês feita no aniversário de 15 anos de PUFFY, para uma revista norte-americana. Vale a pena uma conferida principalmente para quem não sabe absolutamente nada sobre a dupla: https://nt2099.com/J-ENT/INTERVIEWS/puffyamiyumi/puffy15.pdf

terça-feira, 12 de maio de 2026

ipomeias pelo caminho

Esses dias, quando voltava pra casa, vi uma cerca de um terreno baldio coberta de ipomeias. Era fim de tarde e a luz do por do sol transformou o azul acetinado das flores num roxo delicado. Não resisti e já quis fazer uma pintura delas. São facilmente encontradas pela estrada, e dão à paisagem um toque único, já que os tons de azul são mais raros na natureza.

Eu quis levar a leveza das ipomeias de presente a uma tia-avó que fez aniversário ontem, por isso dediquei essa pintura a ela. Ela não só amou como me encomendou outras.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Flores do dia

Há alguns anos, arranjamos uma muda de Vanilla grandifolia, a baunilha. Era bem pequena, do tamanho de uma caneta. Escolhemos um bom lugar e pacientemente cuidamos dela até que criasse raízes. Depois, cresceu por conta própria e foi subindo pela parede (ela é trepadeira). Lemos bastante sobre a espécie, porque a nossa intenção era produzir extrato natural, e vimos que teríamos um longo trabalho pela frente. Encontramos dados de que a baunilha floresce entre cinco e oito anos. Para a nossa surpresa, vimos os primeiros botões se formarem quando a nossa tinha quase quatro anos e ficamos muito animados.

A baunilha é da família das orquídeas e tem flores bem bonitas, de um amarelo pálido, que só ficam abertas durante a manhã, das seis às onze. Como no Brasil não há o besouro que faz a polinização das flores, precisamos fazê-la manualmente, uma a uma. Depois disso, elas murcham totalmente e caem. Após isso, vêm as favas, que depois de um longo processo de desidratação, ficam com aquele aroma adocicado que conhecemos. É com elas que aromatizamos receitas e produzimos o extrato.

 

Semana passada, apareceram os primeiros botões da nossa segunda florada. Não perdemos tempo: é preciso acordar cedo e fazer a polinização. Antes do meio-dia, as flores já murcham. Outros botões virão nos próximos dias e repetiremos tudo.

O cuidado com a baunilha requer dedicação e atenção. É preciso escolher um local adequado, com sol matinal e espaço vertical para que ela cresça. O aroma doce de baunilha está na entrada de Nomes de terra, meu pequeno-romance-crônica lançado ano passado. A planta reaparece em outro momento do livro, mas bem rápido. Que tal ela ganhar uma história só dela?

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Palavras e imagens pelo mundo

Certa vez, comecei um pequeno dicionário de bolso. A intenção era preencher um caderno pequeno que ganhei de uma amiga que visitou o Peru. Teria apenas palavras de outros idiomas cuja tradução não fosse exata, mas que representassem sentimentos ou sensações que eu achasse curiosas, poéticas. Cada um pode criar o seu, e penso que seja um exercício interessante.

A ilustradora Ella Frances Sanders chegou a criar um livro assim, cheio de palavras de outros idiomas chamado Lost in Translation: An Illustrated Compendium of Untranslatable Words from Around the World (algo como "Perdido na tradução: Um compêndio ilustrado de palavras intraduzíveis pelo mundo"). 

Gostei de várias e algumas eu até já conhecia. Deixo aqui algumas que achei preciosas, seja pelo seu significado seja pela ilustração que as acompanha.


Quais sentimentos e sensações vocês gostariam de transformar numa palavra?

terça-feira, 21 de abril de 2026

Sumi-e: primeiros contatos


Sumi-e, ou sumiê, também chamada Suibokuga, é uma técnica chinesa de pintura com tinta à base de carvão vegetal (sumi). Embora eu já conhecesse de nome, só vim praticar sumi-e depois de fazer alguns cursos.

Os primeiro contatos com o sumi-e podem parecer desafiadores: é um técnica com muitos detalhes, possibilidades e o aprendizado se dá por etapas. Alguns profissionais de sumi-e levam de 8 a 10 anos para se tornarem mestres, com exercícios diários e muitas repetições. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Estudos antigos

Reencontrei estes desenhos que fiz há algum tempo. São agora representativos pra mim. Eu primeiro os fiz, tentando imitar algumas ilustrações japonesas antigas que vi em livros, e depois mostrei a uma grande amiga artista que admiro muito. Ela os olhou e me disse que pareciam "sumiê", e eu guardei essa palavra. 

Algum tempo depois, pesquisei mais sobre "sumiê" e só depois entendi que era feito de um jeito diferente do que eu imaginava, como uma pintura e não como um contorno e em seguida pintado.

É engraçado perceber como antes mesmo de conhecer mais a fundo o sumiê, eu já ensaiava tentativas utilizando o princípio essencial da técnica: pinceladas livres e definitivas. Assim eu fiz esse estudos com aquarela mesmo, bastante concentrada, e pensei estar fazendo sumiê por conta do alto contraste entre a tinta e o papel.  
 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Alguns destaques da Bienal

No passeio pela Bienal, entre palestras sobre livros ilustrados e lançamentos de livros, guardei um tempo para olhar quais livros queria trazer comigo.

No estande da baião + todavia, eu e uma amiga encontramos livros maravilhosos. Dentre os quais destaco "Os segredos do zoológico" de Huang Yi-Wen, "Tem um gato no frontispício" de Sofia Mariutti, "Contos de fada japoneses", de Yei Theodora e "A vingança das bibliotecas" de Tom Gauld.

Ainda nesse estande, estive encantado por um livro em particular. Fiquei muito surpreso ao descobrir sobre ele. O livro é "Hoje eu vi um pica-pau", com fragmentos de textos de Michał Skibiński (tradução de Gabriel Borowski) e lindas ilustrações de Ala Bankroft. Este livro recebeu o selo de "altamente recomendável" da FNLIJ (2025).

Hoje Eu Vi Um Pica-pau, De Michal Skibinski. Editorial Baiao, Capa Mole ...

"Hoje eu vi um pica-pau" (todavia, 2025) de Michał Skibiński. 

Outro encontro muito feliz que tive foi com um livro de Nik Neves, autor de quadrinhos e ilustrador brasileiro de Porto Alegre que vive em Berlim. A maior parte de seus trabalhos são relatos de experiências de viagem, que incluem mapas, sketchbooks (os caderninhos de bolso que enchemos de esboços desenhos e rascunhos) e diários visuais.

O livro se chama "Acqua Alta" (Bebel books) e adquiri no estande da livraria Substânsia, de Fortaleza, onde também estava meu livro "Nomes de terra" (Urutau). "Acqua Alta" é um livro delicado e com ilustrações instigantes. É um "silent book" ("livro silencioso" em português) e contemplamos apenas imagens (ilustrações), sem texto. Elas falam por si mesmas e sugerem os momentos da narrativa. Eu fiz um silent book ano passado chamado "Sei" (nome de uma tartaruga de estimação) e confeccionei eu mesmo cópias impressas estilo in octavo para presentear amigos e pessoas queridas. Quem sabe um dia "Sei" não ganha uma versão mais longa?

Livro "Aqua Alta" de Nik Neves.

 

Capa do livro "Sei" 

Livro "Sei", versão em japonês que enviei para a plataforma japonesa Alfapolis.