sexta-feira, 24 de abril de 2026

Palavras e imagens pelo mundo

Certa vez, comecei um pequeno dicionário de bolso. A intenção era preencher um caderno pequeno que ganhei de uma amiga que visitou o Peru. Teria apenas palavras de outros idiomas cuja tradução não fosse exata, mas que representassem sentimentos ou sensações que eu achasse curiosas, poéticas. Cada um pode criar o seu, e penso que seja um exercício interessante.

A ilustradora Ella Frances Sanders chegou a criar um livro assim, cheio de palavras de outros idiomas chamado Lost in Translation: An Illustrated Compendium of Untranslatable Words from Around the World (algo como "Perdido na tradução: Um compêndio ilustrado de palavras intraduzíveis pelo mundo"). 

Gostei de várias e algumas eu até já conhecia. Deixo aqui algumas que achei preciosas, seja pelo seu significado seja pela ilustração que as acompanha.


Quais sentimentos e sensações vocês gostariam de transformar numa palavra?

terça-feira, 21 de abril de 2026

Sumi-e: primeiros contatos


Sumi-e, ou sumiê, também chamada Suibokuga, é uma técnica chinesa de pintura com tinta à base de carvão vegetal (sumi). Embora eu já conhecesse de nome, só vim praticar sumi-e depois de fazer alguns cursos.

Os primeiro contatos com o sumi-e podem parecer desafiadores: é um técnica com muitos detalhes, possibilidades e o aprendizado se dá por etapas. Alguns profissionais de sumi-e levam de 8 a 10 anos para se tornarem mestres, com exercícios diários e muitas repetições. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Estudos antigos

Reencontrei estes desenhos que fiz há algum tempo. São agora representativos pra mim. Eu primeiro os fiz, tentando imitar algumas ilustrações japonesas antigas que vi em livros, e depois mostrei a uma grande amiga artista que admiro muito. Ela os olhou e me disse que pareciam "sumiê", e eu guardei essa palavra. 

Algum tempo depois, pesquisei mais sobre "sumiê" e só depois entendi que era feito de um jeito diferente do que eu imaginava, como uma pintura e não como um contorno e em seguida pintado.

É engraçado perceber como antes mesmo de conhecer mais a fundo o sumiê, eu já ensaiava tentativas utilizando o princípio essencial da técnica: pinceladas livres e definitivas. Assim eu fiz esse estudos com aquarela mesmo, bastante concentrada, e pensei estar fazendo sumiê por conta do alto contraste entre a tinta e o papel.  
 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Alguns destaques da Bienal

No passeio pela Bienal, entre palestras sobre livros ilustrados e lançamentos de livros, guardei um tempo para olhar quais livros queria trazer comigo.

No estande da baião + todavia, eu e uma amiga encontramos livros maravilhosos. Dentre os quais destaco "Os segredos do zoológico" de Huang Yi-Wen, "Tem um gato no frontispício" de Sofia Mariutti, "Contos de fada japoneses", de Yei Theodora e "A vingança das bibliotecas" de Tom Gauld.

Ainda nesse estande, estive encantado por um livro em particular. Fiquei muito surpreso ao descobrir sobre ele. O livro é "Hoje eu vi um pica-pau", com fragmentos de textos de Michał Skibiński (tradução de Gabriel Borowski) e lindas ilustrações de Ala Bankroft. Este livro recebeu o selo de "altamente recomendável" da FNLIJ (2025).

Hoje Eu Vi Um Pica-pau, De Michal Skibinski. Editorial Baiao, Capa Mole ...

"Hoje eu vi um pica-pau" (todavia, 2025) de Michał Skibiński. 

Outro encontro muito feliz que tive foi com um livro de Nik Neves, autor de quadrinhos e ilustrador brasileiro de Porto Alegre que vive em Berlim. A maior parte de seus trabalhos são relatos de experiências de viagem, que incluem mapas, sketchbooks (os caderninhos de bolso que enchemos de esboços desenhos e rascunhos) e diários visuais.

O livro se chama "Acqua Alta" (Bebel books) e adquiri no estande da livraria Substânsia, de Fortaleza, onde também estava meu livro "Nomes de terra" (Urutau). "Acqua Alta" é um livro delicado e com ilustrações instigantes. É um "silent book" ("livro silencioso" em português) e contemplamos apenas imagens (ilustrações), sem texto. Elas falam por si mesmas e sugerem os momentos da narrativa. Eu fiz um silent book ano passado chamado "Sei" (nome de uma tartaruga de estimação) e confeccionei eu mesmo cópias impressas estilo in octavo para presentear amigos e pessoas queridas. Quem sabe um dia "Sei" não ganha uma versão mais longa?

Livro "Aqua Alta" de Nik Neves.

 

Capa do livro "Sei" 

Livro "Sei", versão em japonês que enviei para a plataforma japonesa Alfapolis.


XV Bienal Internacional do Livro de Fortaleza e "Nomes de terra"

Ano passado, em abril, estive na XV Bienal Internacional do Livro de Fortaleza. Foi um passeio muito bom pelos livros. Estava lançando o meu romance "Nomes de terra" (em breve falo mais sobre ele por aqui). 

A jornalista Izabel Gurgel publicou um texto para o jornal O Povo sobre o livro:

 

Texto de Izabel Gurgel para o jornal O Povo (domingo, 25 de maio de 2025), ilustração de Carlos Campos.

 

Observar plantas

Vinha pensando em como poderia compartilhar alguns trabalhos. Eles acabam ficando separados em ocasiões e plataformas diferentes. Então quero trazer alguns aqui, de uma forma bem simples.

 



Aqui, alguns estudos de observação. Gosto muito de plantas e flores, e observá-las é um exercício satisfatório pra mim.

Ao fazer essas pinturas, me perguntava qual técnica seria a ideal, aquarela ou lápis de cor. Só o exercício e a experimentação mostram por quais caminhos preferimos andar. Esses foram os meus primeiros estudos de plantas com aquarela, e gosto das texturas sobre o papel, parecidas com guache.