terça-feira, 5 de maio de 2026

Flores do dia

Há alguns anos, arranjamos uma muda de Vanilla grandifolia, a baunilha. Era bem pequena, do tamanho de uma caneta. Escolhemos um bom lugar e pacientemente cuidamos dela até que criasse raízes. Depois, cresceu por conta própria e foi subindo pela parede (ela é trepadeira). Lemos bastante sobre a espécie, porque a nossa intenção era produzir extrato natural, e vimos que teríamos um longo trabalho pela frente. Encontramos dados de que a baunilha floresce entre cinco e oito anos. Para a nossa surpresa, vimos os primeiros botões se formarem quando a nossa tinha quase quatro anos e ficamos muito animados.

A baunilha é da família das orquídeas e tem flores bem bonitas, de um amarelo pálido, que só ficam abertas durante a manhã, das seis às onze. Como no Brasil não há o besouro que faz a polinização das flores, precisamos fazê-la manualmente, uma a uma. Depois disso, elas murcham totalmente e caem. Após isso, vêm as favas, que depois de um longo processo de desidratação, ficam com aquele aroma adocicado que conhecemos. É com elas que aromatizamos receitas e produzimos o extrato.

 

Semana passada, apareceram os primeiros botões da nossa segunda florada. Não perdemos tempo: é preciso acordar cedo e fazer a polinização. Antes do meio-dia, as flores já murcham. Outros botões virão nos próximos dias e repetiremos tudo.

O cuidado com a baunilha requer dedicação e atenção. É preciso escolher um local adequado, com sol matinal e espaço vertical para que ela cresça. O aroma doce de baunilha está na entrada de Nomes de terra, meu pequeno-romance-crônica lançado ano passado. A planta reaparece em outro momento do livro, mas bem rápido. Que tal ela ganhar uma história só dela?